Imperatriz 
Leopoldinense


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O lema dos mosqueteiros do rei tornou-se popular através da obra de um trabalhador incansável, o escritor Alexandre Dumas, autor de Os três Mosqueteiros, O Conde Monte Cristo, Rainha Margot e O Homem da máscara de ferro, entre dezenas de títulos, oferece um outro olhar sobre a história. Os romances históricos de Dumas foram construídos com o apoio de documentos, responsáveis pelo fornecimento de fatos e datas. Mas não interessa apenas repetir a narrativa dos acontecimentos históricos, permite ressuscitar as personagens históricas criando para o leitor, uma personagem completa. Este soberbo contador de histórias faz sucesso até hoje. Pois estava Dumas singrando os mares italianos quando Garibaldi partia com seus camisas vermelhas para libertar o Reino de Nápoles e da Sicília. As peripécias do revolucionário foram descritas pela pena ágil de Dumas e inundaram as páginas dos jornais franceses como se acompanhasse as ações com uma câmera de filmar.

Com Garibaldi, Alexandre Dumas encontrou um herói. A ocasião era única para um rebelde de coração entrar na literatura de capa e espada; para o outro, "autor dramático" antes de tudo viver uma aventura que não fosse apenas no papel. No fim dos anos 1860, Alexandre Dumas redige as "Memórias de Garibaldi", recriando seu exílio na América do Sul e sua luta a favor das repúblicas jovens. Entre esses dois homens a cumplicidade é total. Garibaldi e Dumas são dois nomes ligados imediatamente à história popular. Pouco importa que Garibaldi tenha perdido batalhas, ele guarda sempre a imagem de vencedor. É um dos últimos heróis românticos, e a expedição dos camisas vermelhas é sem dúvida, a última epopéia do Velho Continente. Era necessário um Dumas, para escrever essa lenda. Se Garibaldi não tivesse existido, Alexandre Dumas o teria inventado. E sem Dumas, o mito de Garibaldi, campeão da liberdade, não teria todo seu esplendor. Garibaldi, herói de carne e osso, prova que a realidade pode ultrapassar a ficção. E é através da ótica folhetinesca e romântica de Dumas que vamos enfocar a história desse herói e de seus dois amores - a liberdade e a família.

Quando Garibaldi veio ao mundo (1807), sua cidade Natal pertencia à França mas seria logo depois anexada ao reino Piemonte e Sardenha (1815). Assim Nizza (hoje é Nice) era um porto onde passou sua infância e juventude. O pai era abastado e ligado à marinha mercante. Foi assim que ele aprendeu a navegar. Entrou para a Marinha, para pregar seus ideais de libertação da Itália e sua unificação. Entretanto, teve que fugir, pois o movimento fracassou e ele e seus companheiros foram condenados à morte. Assim ele conta o episódio: "Cheguei à Marselha sem acidentes... eu me enganei, um acidente aconteceu, li no Povo Soberano - eu tinha sido condenado à morte". Foi por este motivo que o nosso herói embarca com destino ao Rio de Janeiro, onde fica encantado com a natureza exuberante. Depois de algum tempo Garibaldi e um punhado de compatriotas decide declarar guerra ao Império. Toma um navio de assalto, se transformando num corsário idealista e deixa os prisioneiros livres em Santa Catarina, indo se juntar aos rebeldes Farroupilhas. "Estávamos finalmente navegando com bandeira republicana, nós éramos corsários!"

As pradarias orientais foram assim descritas por ele: "Lá, a terra saiu das mãos do Senhor no dia da criação e está como tal até hoje. Tem o aspecto de tapete de verdura e flores que balança ao vento e salpicado de buquês de árvores com folhagens luxuriantes. Os cavalos, os bois, as gazelas, as avestruzes, são os habitantes dessas imensas planicies, atravessadas pelos gaúchos, os centauros do mundo novo. Nessa época, lá pelo fim de 1834 e começo de 1835, existia uma grande quantidade de animais selvagens. Eu tinha medo de ser comido pelos tigres, comuns nesta parte da América. Por entre os talos das plantas, se esgueiram as serpentes com chocalho, a serpente preta, a coral, e como nas florestas das Índias, o jaguar, o tigre e o puma, leão inofensivo, do tamanho de um cachorro São Bernardo. Era a juventude na manhã da humanidade... Chegando a Piratini, fui admiravelmente recebido por Bento Gonçalves, verdadeiro cavaleiro errante do ciclo de Carlos Magano, irmão de coração de Oliveros e Rolando, vigoroso, ágil e leal como eles. Um verdadeiro centauro.

"Pensávamos numa expedição a Santa Catarina. Fui chamado para fazer parte dela sob as ordens do general Canabarro. Havia uma dificuldade, não podíamos sair da lagoa (Lagoa dos Patos), porque a sua desembocadura era guardada pelos imperialistas.

Mas com os homens que eu comandava, nada era impossível. Eu propus construir duas charretes bem grandes e sólidas para colocar em cada uma delas um barco e atrelar nas charretes, cavalos e bois capazes de puxá-las. Minha proposta foi aceita. Cem bois domesticados, com a ajuda de cordas bem sólidas, se colocaram em marcha com aquele carregamento, tão naturalmente, como se aquele fosse um carregamento qualquer.

Chegamos na margem do lago Tramandaí, e depois de pequenos reparos, os barcos estavam aptos a navegar. "Um dos barcos naufraga, mas Garibaldi consegue se salvar.

Chegando em Santa Catarina, ao invés de encontrarem os imperialistas, encontram os republicanos e Canabarro funda a república Juliana, dizia ele, que... ""da lagoa de Santa Catarina sairia a hydra que devoraria o Império".

O encontro de Garibaldi com seu grande amor deu-se nesta época. "Nunca havia sonhado com o casamento, ter mulher e filhos, tendo em vista meu caráter independente e minha irresistível vocação para a vida aventureira, ter mulher e filhos parecia impossível. O destino decidiu de outro modo. Eu me sentia só no mundo."

Foi quando vendo moças ocupadas nas lidas diária, decidiu-se por uma que lhe atraíra. Entrou convidado numa das casas e por acaso encontrou a jovem que tanto o cativara "Serás minha!" Criei, o vínculo que só a morte poderia romper."

E foi assim que a jovem Ana tornou-se Anita, mulher de Garibaldi, na saúde e na doença, na paz e na guerra. Durante todo o tempo que combateu no Brasil, Anita não só apoiou como participou das lutas ao seu lado, " uma amazona brasileira".

"Anita tinha concluído o salvamento,... orgulhosa como um estátua de Pallas e Deus que estendia a mão osbre mim, a cobria ao mesmo tempo com a sombra desta mão".

Embora tenham feitos muitos esforços, a República Juliana não chega a completar um ano. Garibaldi e Anita, continuam na luta pela liberdade. Até que em 1841, Garibaldi resolve pedir dispensa do exército republicano. Ficou decidido que partiria com sua mulher e o filho que já havia nascido, para o Uruguai. Estava encerrada a participação de Anita e de seu companheiro na revolução Farroupilha. Mas não na luta pela liberdade. Lutam pela emancipação do Uruguai e da Itália.

Os heróis dos dois mundos deixam a esfera histórica e se transformam em mitos. Personagens emblemáticos de uma época romântica. As aventuras americanas foram elemento essencial do mito garibaldino. Escritores como Vitor Hugo, George Sand e Dumas, lhes prestaram homenagens. Seus feitos serviram de fundo para filmes como "O leopardo" dirigido por Visconti ou "Viva Itália" de Rossellini, até mesmo para um simples cantar brasileiro: "Neguinho do pastoreiro campeia no litoral, e hás de sentir ilusões de que ainda vês os lanchões de Giuseppe Garibaldi!"


Rosa Magalhães.

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lançamento : 27 Janeiro 2004

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